quarta-feira, 23 de março de 2011

Keep me


Olhei á volta daquele circulo estranho, não via ninguém.
Nada era novo.
Queria recuperar, algo que me pertencia, há muito tempo.
Descodificar um sentimento perdido.
Manter-me sosinha, mas penetrada num sabor estranho.
Encontraste-me.
Largaste-me.
Nao podes alcançar poderes que não me pertencem por infinito.
Não podes unir forças e esclarecer o meu desejo asfixiado.
A tua foto é uma forma de ar fresco que reflecte sobre os meus olhos, todas as manhãs.
Mas essa forma de poder, de força, de exaustão, de sofrimento, de brilho, de sensação.
Morreu, até ao dia que me tocares pela primeira vez.
Imagino-te perto, imagino-te num toque sensível, imagino-te no espelho envolvido numa sombra que me rodeia.
Essa criação, naquele momento inacto, é uma transparência do sopro quente e morto, que foge a cada respirar, envolvido no meu corpo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Estrangulei-te o sufoco


Evitar a assombração da asfixia de um reflexo cognitivo, elimina o crime prosuposto
Rejeitar os sensíveis toques na região ferida, estritamente sufocada, pela ansia incalculável e adormecida da sensação reconfortante que sentia, no momento em que os seus olhos encerravam lentamente, desconfia do pedido jamais descodificado
Partir da lágrima solta ao ventre pesado de um crânio confuso, não é ter razão de uma imagem alterada
Salvar a única razão sobrevivente, que lhe resta, não é egoísmo, é desespero
Sentir-se forte , enquanto lhe é comunicado temas infelizes, não se lembra de poder, recorda-se de prometer
Respeitar esse pedaço de psicopatia, não se condenada apenas a um crime , mas a uma mutilação da estátua debulhada e lamentável, infiltrada na minha pequena estrangulação.


....(2 dias...era quarta feira...3º dia da semana...a mutilada, afónica, desidratada, viveu...junto do outro corpo mais uns anos)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Na VeRticaL DA tuA MásCArA

Visionei por de trás daqueles imunes pedaços de metal, distraindo-me.
Fui ao inverso, daquela cara estrondosa, verticalmente oposta aos meus sentidos dilatados.
Aquela pequena imperfeição de máscara, a que me elimina por fora e me analisa por dentro.
A que estranha a minha presença, e evita o meu odor.
A que me telefona quando permanece instável após a contradição de gestos apetecíveis.
A que distrai a música ao seu passar permanentemente na perdição da cabeça.
A que gera os segundos, ataca os minutos, acaba com as horas, suicida o tempo.
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A cabeça, está sobreposta ao chão regelado
Os três pedaços de metal devolveram-se ao vazio.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

5 FUTUROS PREVISTOS


Enterrei cinco esquemas infiltrados na loucura plenamente sóbria instalada na minha mente
Enterrei quatro patas latentes da minha sobrevivência
Enterrei três mórbidos horizontes, que desfaleceram nos meus dedos frágeis, contudo, o esforço insuficiente deixou-os escapar num completo isolamento
Enterrei dois pesos conscientes marcados na minha pele
Enterrei uma personagem, um corpo sólido, um só coração
Essa era eu. Esse era o meu corpo. Esse era o eu passado..
Remoto
Absurdo
Estrangulado
...
Negro

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Refugiado na própria escravatura


Demostra a saudade limitada do corpo estagnado isolado pelo tempo
Penetra as palavras irrevertíveis para acalmar a agitação desse mesmo corpo
Agradece o som da incógnita reflectida no espelho ilusório da minha juventude
Pressiona a gravidade insinuante e apática
Elimina a dor suave, aumentada pela destruição de uma cólera protegida
Cria duas sentenças imperdoáveis, juntamente com dois sentimentos adormecidos
E...verte...correndo...água...pelo...amanhecer...incalculável...a...dor...de o ter perdido.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Escassos minutos 00.23

Foi como voltar a respirar.
Lembrando-me da fotografia pouco nitida de como é possuir um espelho que reflecte a nossa imagem do sexo oposto.
Uma sombra contada, uma sombra protegida pelos meus braços sensiveis e minúsculos, uma sombra agitada, triste, enrraivecida, inocente.
Aleatoriamente escassa, francamente decifrada, altamente amada, rapidamente assustada, fortemente encontrada pelos caminhos ocorrentes apagados da minha solidão.
Salvou-a do prédio, salvou-o da linha, resgataram-se, uniram-se por todas as parecenças, importando-se somente com o egoísmo visionário, variado entre a morte e o suicidio.
O espelho ao inverso da imagem, no momento. No mesmo quarto. Dormiam. Rodeados de visões, de cores neutras, de palavras decifradas pelas lágrimas abatidas. Dois corpos em 00.23

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Tentativa falhada, apagada na visão




Abstrai-me, visualizando tudo que estava localizado ao meu redor. O objectos continuavam nos mesmos sitios que os tinha colocado á duas horas atrás. O espelho reflectia a minha imagem, um pouco destorcida, um pouco acanhada.
Os meus olhos, desta vez, libertavam uma linha corada de vermelho arrozado.
As pupilas dilatavam-se a cada suspirar que eu contava depois do aceleramento da minha pulsação.
As pestanas estavam ligeiramente afastadas umas das outras, realçando a parte negra debaixo do meu olhar pisado.
O meu nariz suavisou todo o suor que escorria entre a minha face oval, continuando a mesma brancura igual ao meu tom de pele.
Os meus lábios secaram. Estava enrugada. Inrreconhecível. Maltratada.
O líquido que se suspendeu pela bochecha direita era viscoso, Sangue.

ESTAVA CEGA.